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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Família

- Legal essa camisa, combina com o azul dos olhos dele.
- Ah... essa aqui ele não usa mais faz tempo, nem entra mais... Ele agora gosta só dessas com gola assim, olha
- Uhum. São bonitas também.


Sabe, já faz tempo - bastante tempo - que fui embora. Não vi as camisas fugirem do corpo, nem a namorada chegar. Não ouvi a música alta que incomodou os vizinhos e não comi o chocolate que tu diz ser o melhor. Não estive aí pra ver teu salto na piscina, nem pra bater palma quando te entregaram a medalha dourada. Fiquei sabendo que começou a trabalhar, mas não pude te ver chegando em casa cansado do trabalho e mesmo assim indo jogar futebol.

Mas todos esses dias, de todos esses anos, o que mais doeu foi não estar aí pra te dar um beijo. Um beijo todos os dias, de todos esses anos, e dizer o quanto te amo.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Os dias serão sempre assim - mas cada dia será melhor

A noite será como todas as outras. Novela e futebol. A pizza ficará pronta no intervalo, a cerveja estará gelada e o jogo acabará 1 x 1. Lerei um capítulo de um livro, mas ficará tarde. Choverá um pouco lá fora, mas depois do calor do dia, já seria esperado. E será tão bom dormir com o barulho das gotas batendo na janela, enrolada nas cobertas macias. Não muitas, uma ou duas, mas a cama estará quente como sempre. Depois, o vento irá parar e surgirá a claridade.

O sol estará levantando, anunciando um novo dia de trabalho.
Eu estarei na cozinha, guardando a louça do jantar enquanto preparo o café quentinho.
Você estará na cama, se enrolando pra levantar, enquanto grita perguntando se a água do chuveiro está do jeito que gosta.

terça-feira, 7 de julho de 2009

(perdi a vontade de postar nesse blog e de reclamar de dores que há muito não sinto)




Bonitinho, né? Achei esse site fofo no blog da Carol :)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

álbum/coleção/pri

Em toda a minha vida, só consegui completar dois álbuns: o da Barbie e o do Pokémon. Tudo isso já faz um tempo, mas os folheio até hoje, orgulhosa. Há, ainda, um terceiro álbum, que ganhei quando nasci e que desde então - às vezes muitas, às vezes menos - colo figurinhas: é o álbum das frustrações.
Nunca vi sua capa, pois em momento algum eu pude fechá-lo, parece que estou sempre em busca de mais decepções para a coleção. Ao contrário dos outros álbuns, que tenho como um troféu, este eu gostaria de apenas esquecer. Mas como esquecer as figurinhas que tanto marcaram, que tanto sofremos para conseguir, como as insígnias brilhantes do Pokémon ou os sapatos da Barbie?
A gente não esquece. E volta e meia - assim, quando tudo parece tranquilo - o álbum sem capa dança bem na nossa frente, mostrando aquele narizinho gelado e o teu jeito único de correr, só para provocar. Não que precise, pois não passa um dia sem que eu me lembre daquele seisdejunhodedoismilecinco. E de um corpo do chão. E já faz mais de 4 anos...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Existem dores de todas as formas e intensidades. Existem, ainda, dores que superam as próprias dores. Nelas, não é a maquiagem acumulada de tantas noites que faz o olho doer, não é a bebida de ontem que faz a cabeça explodir, nem o vento que faz com que o corpo trema de frio: damos então boas vindas à dor na alma.
O pior de tudo é quando a dor não grita, é quando ela fica calada, comendo cada pedaço do ser. É quando não se tem forças para agir e ninguém estende a mão. É quando tudo desmorona bem na nossa frente, no copo de martini. É quando se vomita e não se pensa 'nunca mais vou beber', mas 'preciso de mais um drink'. É não saber mais pelo quê se chora.
Dói dos fios do cabelo aos dedos do pé. Dói tudo e dói cada parte do corpo e da mente, é a vida que dói junto. E os melhores amigos passam a ser a caixa de lenços e um tarja preta, porque a gente não quer - a gente não pode mais - ficar sozinho.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Eu escrevo

Por dias estive pensando: por que, afinal, eu escrevo? Não buscava uma resposta bonita para justificar os poemas nos guardanapos de bar, mas algo verdadeiro. E, certa madrugada, ela veio: eu escrevo porque sinto.

Sinto o calor do sol e a dor do corte. Sinto o cheiro das rosas que ele enviou e a saudade de minha casa. E sinto muito por ter errado. Nas vezes em que não consigo falar o que estou sentindo, me consola poder escrever. Então escrevo que a luz do dia me faz feliz e que adoro o jeito que ele me olha. E escrevo cartas de perdão.

Escrevo porque sou feliz e sou triste, porque sinto coisas demais e não sei separar. Porque, no fundo, espero que as palavras me façam compreender o incompreensível. Façam com que a dor cesse e o amor se multiplique. Escrevo porque sinto e sou. Eu dou vida aos meus pensamentos com a ponta de um lápis e é isso que me faz existir. Existir além do senso comum, ser o pai que perde a filha e ser também a princesa apaixonada. Ser a trapezista que sonhei na infância e ser o cachorro que não tenho. Ser a menina que quer mudar o mundo e ser o garoto apaixonado pelo melhor amigo. Ser tudo e todos por algumas linhas, alguns parágrafos. Porque, no fundo, eu não sei quem sou. Porque eu sou o que penso. E cada uma das palavras que escrevo são uma parte de mim.

Escrevo porque sou as personagens que crio e sou as lágrimas que deixo cair sobre o papel.

Eu escrevo para viver.





[Publicado originalmente em: http://clubedaescrita.wordpress.com/2009/04/27/eu-escrevo/]

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sobre levar as malas pro fusca lá fora

Por mais que o vislumbre de um lugar melhor seja delicioso, não é sem dor que vejo as malas e móveis empilhados no canto da sala.
As paredes não falam, mas eu posso ouvi-las contando histórias de dias que passaram e pessoas que também se foram. As manchas roxas na parede riem lembrando dos fins de semana com os amigos e o vinho; o espelho do banheiro poderia fazer minha maquiagem; e o canto do que era meu quarto é testemunha de noites de lágrimas e - principalmente - risos.
Doi arrumar as malas, mas tirar as fotos das paredes me faz mais feliz. Aqui ou onde quer que eu vá: não as fotos, mas vocês vão junto comigo.

(Siga onde vão meus pés
Porque eu te sigo também)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

obrigada por mais um dia

Hoje andava pela casa sem saber muito o que fazer ou pensar. Dentro do armário, vi aquela velha caixinha, que acho que levarei comigo onde eu for.

Abri e fui tomada por um sentimento estranho ao olhar o papel do bombom, o elástico e a palheta. Peguei cada um deles com carinho, como se mexe em algo muito importante... preciosidades, raridades talvez (seriam o meu tesouro?). Não pude conter uma lágrima quando encontrei o guardanapo no fundo da caixa, nem precisaria ler, porque aquelas frases nunca saíram da minha cabeça...
Recomposta, guardei tudo delicadamente... pois, agora, tudo iria para o seu lugar: os velhos sentimentos devem ser descartados.

Com a caixinha roxa nas mão, caminhei em direção ao lixo. Em sua frente, mudei de ideia. Coloquei a caixinha de lado, arranquei meu coração e o lancei no cesto imundo. Parabéns para mim!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

essa é a luz que eu preciso...

Chove muito. Por toda a cidade, as famílias jogam cartas, assitem a filmes, dormem. Uma das casas está vazia, fechada. A rede está ali fora, sendo quase levada pelo vento e o shortinho branco recém lavado foi arrancado do varal. Que pena, já estava seco. Por dentro, há água pelo chão: quem disse que os vidros haviam sido fechados? O chão não está muito limpo e as camas não são arrumadas faz uns dias.
Não muito longe dali, na beira da praia, as moradoras correm, gritam, riem.
Longe de tudo e de todos, as 4 vivem.

Por que não pode ser assim para sempre?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Post nostálgico e emo sobre uma das melhores pessoas que conheci



A foto é velha (2006?), os sentimentos que a acompanham são antigos também. Cara, encontrei o fotolog dela - abandonado - e agradeci à tecnologia! Obrigada internet, que vai registrar pra sempre (?) momentos assim. Não que eu não vá lembrar, mas aprendi a não confiar muito na minha memória.

Ainda hoje lembro do frio, das bolas de neve e do abraço. Da Fer tirando a foto e a gente ali! Acho que nem se a internet for infinita caberiam todas nossas histórias. Ou todo meu sentimento.

É uma amizade que não acaba nunca e aumenta a cada dia! E é também um orgulho, um respeito, uma admiração eterna!

Vendo as fotos tão velhas no flog, senti um aperto no peito, uma saudade tão grande! Lembro do medo que tinha ao começar a virar 'gente grande', não queria perder minhas amigas! E tu, Fabi, é o maior exemplo de que isso não acontece, quando a amizade é verdadeira. E esses km que nos separam, nos tornaram ainda mais unidas, mesmo que a gente não possa mais dar todo dia esse abraço apertado!

De qualquer forma, por todos esses anos, já tentei diversar vezes expressar em palavras o que eu sinto e penso. Eu sempre falho miseravelmente.

Finalizando: a foto? A gente como tem que ser: juntas. Juntas no bar, na praia, na chuva, na calçada, no posto, na náááiti, na neve e certamente no fogo do inferno. (haha)

Te amo, melhor amiga!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

E a Carol?

Ela era minha melhor amiga. Lá pela sexta série, íamos juntas pras festinhas que duravam até a meia noite. Sempre fomos muito diferentes: ela me complementava. Era meu porto seguro, minha confidente. O tempo passa, a distância aumenta, as diferenças que antes desconsiderávamos passam a incomodar. O contato é perdido, a importância não. Encontrei-a no fim de ano, nas primeiras horas de 2009. Vi ela assim, meio de longe, mas o suficiente para reconhecer: corri, abracei, chorei. "Tu jura que vem me visitar?" - ela perguntou, "Sim, vou mesmo". E eu fui esse fim de semana.
É estranho ver como a 'tia' mudou, como o irmãozinho que antes me jogava bichinhos de pelúcia está maior que eu. Saímos para um sorvete na chuvosa tarde da praia - nós tomamos rumos tão diferentes. Cidades distantes, cursos opostos, ideais distintos. Falamos sobre a vida, o que fazemos e quem somos hoje. Mas jamais nos esqueceremos do porquê o somos. Daqueles anos tão doces, segredos tão bem guardados e problemas que pareciam tão sérios.
Foi necessário pouco para que caíssemos no silêncio. "E a Carol?". "Qual Carol?". "A que sentava na frente do quadro...". "Sei, sei.. o que tem a Carol?". "Vi ela esses dias... tá fazendo Medicina.". "Hm, Medicina". "Que legal... legal pra Carol."
Mas não quero acreditar que o que nos une é a Carol, da Medicina. São muitos anos de cumplicidade pra resgatar em um sorvete, acho que foi melhor ficar em silêncio. Um silêncio que gritava todo o meu sentimento, revelado no "a gente se vê".
Porque a gente sempre se vê.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O fundo do poço tem trilha sonora

"Eu sei que vou te amar, por toda minha viiiiida vou te amaaaaaar". Essa música está me perseguindo, sério. É a Maysa, o rádio, o cara do andar de baixo... Me peguei no ônibus cantarolando "deseperadamente eu vou te amaar" e as lágrimas entupiram meus olhos. Pra chorar ouvindo isso, só no mesmo momento em que eu choro vendo Luciano Hulk. Pois é, minha gente, esses momentos existem. Mas, poxa, a mulher tinha 47 filhos, era lindo. :~
Outra que eu não aguento mais ouvir - morra, novela: "que beijinho doce que ele teeeem!". Ai, é tão bonitinha. Sim, dei um mergulho na infelicidade e estou bem assim! Menos quando todos meus colegas de trabalho me viram chorar e ir pro banheiro na altura do "nunca maaaais amei ninguém". Enfim, era um cisco no olho, juro!
Despeço-me agora. E só volto a postar aqui quando músicas infernais sairem do meu cérebro.

...perguntaram pra mim... se ainda gosto delaaaaaaa.....

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Crianças - esses seres adoráveis

Não sei como dizer isso educadamente: eu não gosto de crianças. Ok, tem umas legais, divertidas e tudo mais, acho até que todas devem saber ser assim. Mas me refiro àquelas que fazem questão de NÃO ser. Aquelas que choram por qualquer besteira, correm nas lojas, fazem escândalo e xingam todo mundo. Tipo: mal-educadas pra caralho. Crianças vivem me acordando com seus berros em ônibus, isso me deixa furiosa. Mais furiosa ainda eu fico com pais que nem se importam - isso aí, incentivem o mau comportamento.
Tive minha carteira roubada, junto perdi todos meus documentos. Ok, que lixo. Segunda-feira acordei cedo (pros meus horários) e lá fui eu, sem nem almoçar, pro Instituto Geral de Perícias. Cheguei lá às 12:45, peguei a senha 253 pra fazer a segunda via da Carteira de Indentidade. Estava ainda na 214, logo, demoraria uma eternidade pra eu ser atendida. E eu lá, com fome, CALOR e raiva. Pelo menos tinha um livro na bolsa, como sempre, fiquei lendo. Gente que não acabava mais, eu repassando mentalmente as mil coisas que tinha que fazer. Lá pelas 14:00, um senhor que atendia chamou a atenção de todo o povo que esperava "O sistema tá fora do ar, sem previsão de volta". Tipo: "morra, sistema". Indignada, fui embora.
Descobri que tinha como agendar pela internet, foi o que fiz: hoje, às 12:20. Cheguei lá pontualmente, olhei pra multidão que esperava (como eu segunda!) e passei adiante. Na mesa ao lado da minha, uma criança fazia a primeira via da identidade, junto da mãe. Até aí, tudo certo. Quando chegou a hora da foto, a criatura resolveu que não ia tirar! E ficava lá, fazendo uns vida loca com as mãos, abrindo sorrisões e balançando o rosto. E a mãe: "Bruno, por favor!". O atendente: "outra...". Sem mentira, o bocó precisou de umas 7 fotos até conseguir uma razoável. Eu queria espancar ele, tipo, isso aqui não é fotinho de colégio que todos tem o maior tempo do mundo! E ele não tinha 3, 4 anos que não entendia... tinha quase uns 10! Bah, isso pra mim é gente sem limite, é como os colegas retardados que eu tive que no terceiro ano que se jogavam bolinhas de papel. Gente que não cresce. E eu só pensando nas pessoas lá fora.... Ah, é por isso que na segunda fiquei horas sentada e a fila não fluia. Idiota.
E eu nem sou tão mal humorada. Mas até hoje só tive experiência ridícula com crianças, daí generalizo: tenho raiva de todas.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Para não fugir do óbvio: a viagem - parte 1

Tantas, tantas, taaaantas coisas nos últimos dias. Meu bloquinho inseparável voltou cheio de idéias.
Acabo de chegar na cidade vazia e vim direto pro trabalho, que raiva. Lembrei do tempo que passava o verão todinho na praia - e reclamava. Eu não gosto de calor, nem de praia. Mas dos males o menor: antes verão+praia do que verão+trabalho. Como eu 'não posso' escolher, eis me aqui.
Todos os anos da minha vida, ficava indignada com o bando de gente que invade as praias na semana do Natal ao Ano Novo - aff, gente pobre! Que máximo, agora sou um deles! E já que pertenço ao clube, executei minhas tarefas direitinho, como (não tão) rapidamente tentarei descrever.
Passagem comprada pra sábado, 17:30. O trabalho no sétimo dia vai geralmente até 14:30, uma maravilha! Trouxe a mala e deixei com o - querido! - porteiro, assim quando eu saísse nem tinha que passar em casa, ia direto num churrasco de um amigo e depois pra rodoviária, teria tempo suficiente. OBA: Israel atacou a galera e quem se fodeu fui eu junto! Mas que legal é ficar vegetando no jornal no único dia que eu tinha pressa, valeu aí Gaza! 15:15 fui pro aniversário, é uma maravilha não comer carne num churrasco. Não que eu tivesse fome, mas 'hoje tu vai comeeer' e 'só um salsichão' são frases chatas e nada engraçadas, anotem! O que resta é beber e rir, sem perder a hora. Quem disse que o táxi chega? 17:17: 'vai voando, moço!'. Não era pra ele levar a sério, acho. Fui com o coração na mão, enquanto ele ultrapassava os sinais vermelhos. Chegando na rodoviária, eeeta tranqueira! Que legal que toodo mundo viaja de ônibus, saí correndo com uma mala gigante em busca da tal plataforma sei-lá-que-número. Consegui!
E o ônibus? Adóóóóóóóro pinga-pinga! Detalhe: eu sempre durmo em viagens. Estava sonhando antes do ônibus arrancar, com um simpático velhinho no banco do lado, mas não sem antes implorar 'por favor, me liguem daqui 3 horas, senão vou perder a parada'. No maior sono e alegria do mundo, a viagem seguiu. Eu estou numa nuvem fofinha, vou voando... tudo tão calmo... de repente as nuvens me dão choques no cotovelo! Choques intermináveis! Acordo desesperada: um senhor CUTUCA meu cotovelo insitentemente - 'sua passagem, senhorita'. Caralho, já não dei a passagem lá na frente? Raiva, raiva, raiva!
Já acordada, resolvo ir ao banheiro, a cerveja toda pedia pra sair. Que coisa péssima é banheiro de ônibus! O drama começa em chegar lá no fundo, com o transporte pulando de tanta buraqueira - maravilha de estrada desse Brasil! Tudo certo, volto e cochilo mais um pouco. 'AAAAAAAAH! AAAAAAAAAH!'. Não, Israel não atacou o ônibus também, é só uma criança no banco do lado berrando. O que os pais fazem?
a) 'Fica quietinha, filha'
b) 'Para, filha!!! Tá acordando as pessoas'
c) dão um safanão
Resposta: nenhuma das alternativas. Os infelizes APLAUDEM a criatura que me acordou, mesmo diante do meu olhar de ódio. Resultado: resto da viagem aos berros! Elaiá, que beleza! A propósito: o homem do meu lado sumiu, agora o banco é ocupado por uma moça loira. Por que eu não vi isso? Será que o velhinho foi só uma ilusão?
De qualquer forma, horas depois eu cheguei num lugar nunca visto. 'Rodoviária de X', berrou o elemento que antes me acordou. Peraí. Eu veraneio em X há anos, a rodoviária não é aqui. 'É aqui sim, blablabla'. Enfim: saí do ônibus, né, mesmo sem ter a menor idéia de onde eu estivesse.
Adoro essa vida popular!
Sobre as noites e outros fatos, esvrevo em outros posts.
Em tempo: a rodoviária mudou e, aparentemente, só eu não sabia.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Quando comecei a ser chata?

Sobre como tudo muda em um ano
Ano passado, preenchendo o formulário do ENEM (aquele com milhões de perguntas aparentemente inúteis, pra todas havendo a resposta 'sou de/participar de/ajudar minha comunidade indígena') tinha a questão 'Você trabalha?'. Analisei as respostas, ignorei a opção indígena, e meus pais riram juntos, perguntando se não tinha a alternativa 'Não sei o que é isso'. Bom, eu sei o que é isso agora, quem diria. Costumava dizer que faria toda a faculdade sem trabalhar, meus pais apoiavam e foi exatamente o que fiz no primeiro semestre desse ano. Saía noite sim-noite sim, não tinha compromissos, acordava ao meio dia e lotava minha casa com vários amigos e colegas, motivo pelo qual meus vizinhos me odeiam.
Quando comecei a trabalhar, as pessoas riam e diziam que não tinha nada a ver comigo, imagina! E realmente não tinha, mas as pessoas aprendem. Eu aprendi a ficar em casa e dou valor a cada segundo em que fico lendo um livro em silêncio deitada na cama, não no caos que é uma redação. Meus amigos me visitam e tenho surtos psicóticos pra ninguém berrar, afinal, coitados dos vizinhos.
Ano passado, eu só comia o que queria, de preferência feito especialmente pra mim. Agora, como todos os dias o arroz-feijão-salada do RU de sempre, às vezes me aventuro na cozinha e até não me importo muito de ir a um restaurante sozinha.
Ano passado, eu entrava em qualquer carro de amigo que me oferecesse carona pra voltar pra casa depois da noite. Agora, tenho neuroses e faço interrogatórios: tu bebeu? quanto? tu tá consciente? Enfim, perguntas super chatas mesmo, e já deixei de aceitar carona: eu pego um táxi, bem mais seguro.
Ainda no início do ano, minha casa era superpovoada e tudo mais. Hoje emdia, tenho ataques com quem aparece no meio da tarde sem avisar, quem suja meu chão, larga copos por aí ou encosta nas minhas plantas. Ah, sim, eu tenho plantas. Tenho também o guia telefônico - que coisa de gente chata! E chego em casa do trabalho ali por 3 e meia, 4 horas, e varro a casa. Ninguém merece lugar sujo ou desorganizado. Aliás, minha mesa do trabalho é mega organizada: sou louca e estipulei um lugar pra garrafa de água, a de café, os copos, o jornal e os blocos.
Minhas preocupações são com contas pra pagar, viagens e minha família, não mais com o guri da outra turma que pegou não sei quem. Que tipo de pessoa eu me tornei?! Não, não me ajudem a sair dessa. Eu gosto muito. :)
São só uns exemplos, mas às vezes me pego pensando como tudo muda assim, e a gente nem percebe.
Tudo não, né. Porque nesse exato momento estou digitando com um band-aid na mão, que eu cortei tentando fazer comida - que ficou horrível. E o band-aid é de girafas.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Mais um dia por aqui, mais uma noite sem dormir: eu e o trabalho nas sextas

Contrariando todas as expectativas, eu gosto de trabalhar. Ah, ok, eu nem faço muita coisa, mas é legal ter a mente ocupada por umas horas. É CLARO que eu amaria vir quando quisesse e sair algumas noites, mas já me acostumei a chegar lá pelas 3 nos lugares: toda sexta é assim. Narrarei aqui a minha última sexta-feira então. Passei o dia todo correndo e comprando, adorei receber meu primeiro salário (viu como é bom trabalhar?). No fim da tarde, voltei para casa onde tomei um banho rápido e coloquei uma roupa qualquer. Delicadamente, joguei meu vestido magnífico na bolsa, bem como mil maquiagens.
Vou falar a real: não falo com muita gente aqui. Só uns ois e tudo mais, mas tem um cara que todos os dias, sem exceção, vem conversar. Pô, tu é meu colega, não meu amigo! Sim, eu tô legal, tive um bom dia e vou trabalhar até às 3, como sempre. Pra onde eu vou depois e o que vou fazer no fim de semana é problema meu, tô pensando em dizer que vou dar a bunda. Ou que sou lésbica e vou ficar juntinho da minha namorada - sim, eu filmarei a reação do rapaz.
Como não tinha muito o que fazer e ainda era cedo, comecei a ler um livro. Estou eu concentrada, absorta em minha leitura, quando sinto alguém chegando por trás (ui!) de mim., Fechei os olhos, tipo 'isso não está acontecendo'. Mas estava. O maluco chegou a uns 6 centímetros do meu rosto e disse 'teu sapato é maravilhoso!'. Meu sapato era em verniz, vinho, realmente maravilhoso. Mas para sair de noite, não para trabalhar - haha, homem não entende nada! Como não coube na bolsa, tive que vir com ele no pé, rezando pra ninguém ver. Oba, agora a redação toda viu!
Passado o susto, o maluco1 me aluga mais um pouco e eu me desvencilho, indo buscar umas páginas. Chegando ao meu destino, dei oi ao que chamarei de cara-das-páginas. Ele é engraçadinho até, mas nunca falei com ele. Não sei porque, mas ele parece um ursinho carinhoso. Ele murmura algo, não entendi bem na hora. Parecia 'hoje tu tá uma cadela', mas poderia ser 'nota dez' também. Ou poderia ser qualquer outra coisa. Dei um sorrisinho e saí, desesperada. Os ursinhos carinhosos não falam essas coisas! Eles deveriam ser meigos e queridos :~
Fui abordada mais uma vez pelo maluco1, que dessa vez ficou assistindo minhas conversas no msn e meu orkut. Nem minha mãe faz isso mais, porque me deixa furiosa. Dei algumas olhadas 'sai daqui' mas ele deve ter entendido alguma outra coisa - e olha que eu treino olhadas de ódio no espelho, sou realmente especialista nelas. Depois que me livrei, continuei a fazer meu trabalho e falar no msn (já mencionei que amo ser paga pra isso?) e eis que o maníaco do sapato está indo embora. Ele berra o educado 'boa noite' e quando vou responder, segue-se outro berro: 'vou ter que dar um beijo nessa guria!!'. Ai, que legal, agora recebi um beijo na bochecha de um maluco e todo mundo está rindo da Branca de Neve, porque, SIM, é esse o meu apelido.
Esqueci de um detalhe das sextas: o poderoso chefão. Ele está presente e cada vez que o telefone toca me dá medo. O primeiro 'mocinha, vem aqui na minha sala agora' a gente nunca esquece, logo vem a pergunta 'o que eu fiz de errado?'. Geralmente não é nada ou coisas que a culpa não é minha, mas tudo bem, pode me xingar. Nas sextas, o telefone toca umas 6 vezes e eu passo a noite correndo com papéis nas mãos e falando 'já dou um jeito nisso'. Essa sexta, resolvi me maquiar ali pelas 2 e mais, porque não tinha mais nada para fazer. Estou eu no banheiro, um olho já pronto e eu ouço. Não, não era o telefone, era um "DONA ÂNGELAAAAAAAAAAAAAAAAA". Saí correndo com um olho pintado, gatíssima.
E, assim, chego nas festas exausta, isso quando ainda tem festa. Porque, sim, nessa sexta a noite já estava no fim, mas depois de todo meu esforço, me enfio em qualquer bar, tem que valer a pena ué.
Mas nada supera esse domingo. Minha amiga e o namorado estavam dormindo lá em casa.
Eu - Alô, Fabi, tô saindo daqui agora, tá? Acorda pra abrir pra mim, beijo!
Motorista - HMMM, ligando pro amor, é?
Eu - Não, não... é só minha amiga que tá na cidade e teve que dormir lá no apartamento.
Chegando à porta do prédio, quem está esperando lá embaixo? SIM, o namorado, de chinelos e bermuda. Opa, que legal, além de tudo passei por mentirosa, aeeeaeeee!
Ai, eu adoro trabalhar :)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Aqueles dias


Eu e ele não temos uma relação bem resolvida. Quando mais nova, amava quando ele vinha me ver: só ia brincar pelas ruas quando ele estava junto. Cresci um pouco e - talvez a raiva adolescente - tenha me feito odiá-lo. Ele não colaborava... ia a todos os lugares, não me deixava. E eu fugia, me escondia através dos óculos escuros e roupas estranhas, talvez isso o espantasse. Mas não. Incansável, ele me perseguia pelas ruas e até invadia minha casa pela janela: um inferno. Será que ele não percebia que eu o queria bem longe? Minha mãe, como toda mãe, dizia que ele era uma graça, que eu deveria dar uma chance. Muitas vezes até tentei sair com ele, ver o que poderia ganhar com isso. Mas ele pode ser traiçoeiro. Por vezes me queimou, me machucou, me fez ficar dias sem sair de casa - de dor, de vergonha. Hoje em dia, não posso dizer que somos melhores amigos, mas também não somos inimigos. Talvez seja paixão: quando fica muito tempo sem aparecer, sinto um aperto no peito de saudade. Também não quero que ele me sufoque.

Mas uma coisa nunca muda, e nas últimas semanas ele tem feito certinho: Sol, meu bem, adoro acordar e te ver pela janela iluminando meu dia, dizendo que tudo vai dar certo. Ah, aqueles dias magníficos em que o Sol sorri pra gente logo ao acordar...

domingo, 28 de setembro de 2008

tum tum, tum tum, tum tum


Não, não é meu coração. É minha cabeça explodindo. Não tenho certeza do motivo. Estava 25 graus na rua e eu saí com 3 casacos e manta - passei frio. Talvez eu esteja doente, é bem provável. Ou talvez eu seja doente.


Ah, que dor. Dói cabeça, corpo, memória e sonho. Acho que a lembrança é a pior. Só quero dormir um pouco mais.


As coisas que eu disse ontem não valiam só até a meia-noite. Vá embora, embora, embora

domingo, 21 de setembro de 2008

Sobre os fins e reviver

Há alguns dias uma máquina aceleradora de partículas foi ligada, em uma tentativa de recriar o fenômeno do Big Bang. Muitas foram as críticas e até casos de suicídio foram registrados devido ao temor. Enquanto falávamos sobre isso em uma aula e todos diziam o que pensavam, lembrei novamente de algo: criticar é muito fácil. Dentre alguns rabiscos em meus caderno, lê-se: medo do novo x desejo do passado. Hoje, ao reencontrar a tal folha de caderno, pensei mais um pouco sobre isso.
A questão central não é o experimento - realmente, o mundo poderia ter acabado. Seria culpa de cientistas? Mas e nós que não somos cientistas? Não arriscaríamos para reviver certos momentos? Voltar uma única vez àquele show maravilhoso, àquela medalha de ouro na sexta série, àquele dia em que ele pegou nossa mão no cinema,...
Há horas em que eu construiria qualquer máquina, de qualquer tamanho, assumindo qualquer conseqüência, só para voltar àquele dia - e não faria nada diferente. Talvez reparasse mais nos olhos, nos gestos. Só para ter certeza se as palavras eram sinceras, já que delas eu lembro bem (ah, por que dou tanto valor às palavras?).
Enquanto não temos máquinas, não temos opções: sorrir, amar, viver... como sendo a última vez.
E - caso um dia inventem a máquina que eu tanto desejo - ai de quem falar que será o fim do mundo. O fim do mundo é deixar de sorrir.
medo do novo x desejo do passado...
...mas, Ângela, você não pode querer o que passou.

domingo, 14 de setembro de 2008

Sobre festas

Não gosto de festas, como já mencionei em outro post: sou fresca, sim, odeio gente se encostando.
Uma coisa é eu tocar em meus amigos e conhecidos, é inevitável. O problema são aglomerações como ônibus e a maioria dessas festinhas.

No fim de semana (sou paleozóica: é FIM DE SEMANA, e não 'findi' ou qualquer miguxice do gênero) me despi de todo meu preconceito en resolvi ir numa festa de faculdade. E quando digo resolvi ir é eu QUIS ir, não fui obrigada nem nada do gênero e achei que realmente poderia me divertir.

Chegando lá, achei alguns amigos e aí sim vi que a festa seria boa. Mas talvez eu esteja vivendo há tempo demais em meu mundo particular ou eu seja chata mesmo. Não conhecia nenhuma música, ritmos péssimos, letras simplórias. Então alguém pode me dizer "faz melhor", mas - me desculpem - acho que até eu consigo fazer algo melhor. Porque não, não quero que 'latam' enquanto eu passo, obrigada.

Ok, eu sou a rainha de ter crises em festas.

Mas estava tudo bem até algum alienado vir questionar o que eu acredito, vir discutir sem argumentos. "Lugar de mulher é na cozinha"? Então o lugar da minha mão é batendo na tua cara. (não, eu não agredi ninguém)

Qual o sentido de ir numa festa? Beber até morrer? 'Pegar' mais gente que todo mundo?
Infelizmente é o que me pareceu. Futilidade, futilidade, futilidade... aaaaaaaah, não aguento! Um exército de iguais, cabelos iguais, roupas iguais, perfumes iguais, pensamentos iguais.

Em um momento de profunda raiva (o que eu bebi pra despertar isso?), criei os P's. Festa palha - música podre - homens porcos - mulheres promíscuas. É claaaaaaaaaaaaaaro que eu não acho que tudo é assim, não posso generalizar. Mas não consegui encontrar nenhum exemplar diferente nesse sábado.

Qual o objetivo de passar horas se arrumando? Causar inveja nas outras ou passarem mais a mão em ti? Não encostem em mim, se houver próxima nem banho eu tomo e prendo o cabelo. Sério.

Saldo da noite: dar muitos empurrões, uma discussão, uma amizade em crise, vários 'nunca mais vou sair contigo', muita raiva e a decepção. Ah, mundo... por que faz isso comigo?