Desde pequena, Gabriela sempre ouviu a avó dizer que nossas decisões revelam quem somos realmente. Não entendia muito bem o que a frase queria dizer em sua plenitude, mas gostava de pensar sobre isso. O tempo passou - recheado de escolhas - e Gabriela não tem mais oito anos. Mas continua a pensar nas palavras da senhora que a pegava no colo e cantava com uma voz suave.
Hoje, Gabriela levantou os braços aos céus - mesmo estando no interior de um apartamento escuro - e decidiu não servir o jantar. Decidiu, também, impedir que os fantasmas do passado e presente a impeçam de dormir. Decidiu tudo isso abandonando o ferro com que passava a roupas dele, tirando cuidadosamente o aparelho da tomada.
Abriu a porta e foi embora.
