sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sabe, eu fico aqui pensando vez que outra enquanto alimento os peixes. O jeito como eles nadam lembra a gente, aliás... tem dias em que tudo lembra a gente. Mas o jeito que eles nadam, meio que se encondendo, sabe? Como se eu não pudesse ver, como se não pudessem nos ver.

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Já te disse o que eu mais gosto em ti? Não são esses teus olhos brilhantes, nem tua boca vermelha. É o teu cabelo. Teu cabelo que, como o meu, sempre tá diferente, curto, comprido, colorido. Gosto de ver como ele se move quando tu dança, no mesmo ritmo do teu vestido vermelho.

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Sabe, às vezes eu penso que tudo seria mais fácil se eu me jogasse no lago, mas eu não sei se sou capaz de nadar nessa água tão fria.


(texto escrito há um bom tempo atrás. quando a vida era diferente :D)

terça-feira, 7 de julho de 2009

(perdi a vontade de postar nesse blog e de reclamar de dores que há muito não sinto)




Bonitinho, né? Achei esse site fofo no blog da Carol :)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

álbum/coleção/pri

Em toda a minha vida, só consegui completar dois álbuns: o da Barbie e o do Pokémon. Tudo isso já faz um tempo, mas os folheio até hoje, orgulhosa. Há, ainda, um terceiro álbum, que ganhei quando nasci e que desde então - às vezes muitas, às vezes menos - colo figurinhas: é o álbum das frustrações.
Nunca vi sua capa, pois em momento algum eu pude fechá-lo, parece que estou sempre em busca de mais decepções para a coleção. Ao contrário dos outros álbuns, que tenho como um troféu, este eu gostaria de apenas esquecer. Mas como esquecer as figurinhas que tanto marcaram, que tanto sofremos para conseguir, como as insígnias brilhantes do Pokémon ou os sapatos da Barbie?
A gente não esquece. E volta e meia - assim, quando tudo parece tranquilo - o álbum sem capa dança bem na nossa frente, mostrando aquele narizinho gelado e o teu jeito único de correr, só para provocar. Não que precise, pois não passa um dia sem que eu me lembre daquele seisdejunhodedoismilecinco. E de um corpo do chão. E já faz mais de 4 anos...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Existem dores de todas as formas e intensidades. Existem, ainda, dores que superam as próprias dores. Nelas, não é a maquiagem acumulada de tantas noites que faz o olho doer, não é a bebida de ontem que faz a cabeça explodir, nem o vento que faz com que o corpo trema de frio: damos então boas vindas à dor na alma.
O pior de tudo é quando a dor não grita, é quando ela fica calada, comendo cada pedaço do ser. É quando não se tem forças para agir e ninguém estende a mão. É quando tudo desmorona bem na nossa frente, no copo de martini. É quando se vomita e não se pensa 'nunca mais vou beber', mas 'preciso de mais um drink'. É não saber mais pelo quê se chora.
Dói dos fios do cabelo aos dedos do pé. Dói tudo e dói cada parte do corpo e da mente, é a vida que dói junto. E os melhores amigos passam a ser a caixa de lenços e um tarja preta, porque a gente não quer - a gente não pode mais - ficar sozinho.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Eu escrevo

Por dias estive pensando: por que, afinal, eu escrevo? Não buscava uma resposta bonita para justificar os poemas nos guardanapos de bar, mas algo verdadeiro. E, certa madrugada, ela veio: eu escrevo porque sinto.

Sinto o calor do sol e a dor do corte. Sinto o cheiro das rosas que ele enviou e a saudade de minha casa. E sinto muito por ter errado. Nas vezes em que não consigo falar o que estou sentindo, me consola poder escrever. Então escrevo que a luz do dia me faz feliz e que adoro o jeito que ele me olha. E escrevo cartas de perdão.

Escrevo porque sou feliz e sou triste, porque sinto coisas demais e não sei separar. Porque, no fundo, espero que as palavras me façam compreender o incompreensível. Façam com que a dor cesse e o amor se multiplique. Escrevo porque sinto e sou. Eu dou vida aos meus pensamentos com a ponta de um lápis e é isso que me faz existir. Existir além do senso comum, ser o pai que perde a filha e ser também a princesa apaixonada. Ser a trapezista que sonhei na infância e ser o cachorro que não tenho. Ser a menina que quer mudar o mundo e ser o garoto apaixonado pelo melhor amigo. Ser tudo e todos por algumas linhas, alguns parágrafos. Porque, no fundo, eu não sei quem sou. Porque eu sou o que penso. E cada uma das palavras que escrevo são uma parte de mim.

Escrevo porque sou as personagens que crio e sou as lágrimas que deixo cair sobre o papel.

Eu escrevo para viver.





[Publicado originalmente em: http://clubedaescrita.wordpress.com/2009/04/27/eu-escrevo/]

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sobre levar as malas pro fusca lá fora

Por mais que o vislumbre de um lugar melhor seja delicioso, não é sem dor que vejo as malas e móveis empilhados no canto da sala.
As paredes não falam, mas eu posso ouvi-las contando histórias de dias que passaram e pessoas que também se foram. As manchas roxas na parede riem lembrando dos fins de semana com os amigos e o vinho; o espelho do banheiro poderia fazer minha maquiagem; e o canto do que era meu quarto é testemunha de noites de lágrimas e - principalmente - risos.
Doi arrumar as malas, mas tirar as fotos das paredes me faz mais feliz. Aqui ou onde quer que eu vá: não as fotos, mas vocês vão junto comigo.

(Siga onde vão meus pés
Porque eu te sigo também)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

colapso

minha cabeça cansada já não consegue colocar em palavras o que vê e sente. a pilha de livros ao lado, os cacos de vidro na cozinha, a sensação engraçada no peito. meus pés mais gelados que nunca e a agonia por não conseguir escrever.

mas olho para a frente e - embora seja noite - vejo o sol. penso na voz que me fará dormir e nos pés que aquecerão os meus logo mais: não importa quantos dedos eu tenha colado com superbonder, eu estou feliz.