domingo, 4 de outubro de 2009

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Agora faz pouco que você foi embora e me deixou aqui sozinho.

Faz pouco, tão pouco, que ainda não consigo imaginar como é - depois de 30 anos - acordar sem ser com seu beijo. Não terei mais arroz e feijão quentes ao meio-dia, então acho que terei que almoçar na empresa, num banco qualquer do refeitório. E quando eu já estiver no chuveiro e ver que esqueci a toalha, não terei a quem chamar, pois você não estará aqui para ralhar 'de novo!' e entrar sorrindo no banho comigo. Não terei companhia para ver TV até tarde e nem quem me acorde quando eu, cansado, dormir no sofá. Honestamente, não imagino como será chegar do trabalho sem te ver de avental na cozinha, terminando o jantar. Não sei como será ir dormir sem te falar do meu dia, contar a piada que ouvi do cara do comercial, planejar o fim de semana. Não sei como é deitar sem ser com você, jantar sem ser com você, sonhar sem ser com você.... eu não sei como é viver sem ser com você (e será que algum dia eu soube?).

Agora faz pouco que você foi embora e me deixou aqui sozinho.
Agora janto um sanduíche e a única voz que ouço é a do moço da TV.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Bom dia

No dia em que eu acordar e não te encontrar ao meu lado, vou girar na cama até o lugar onde tu sempre dormiu, procurar pelo teu cheiro e aí muitas coisas passarão pela minha cabeça. Todos os dias em que fui feliz contigo, e até os que não fui tão feliz assim. Vou pensar em como tu te tornou meu melhor amigo e em como os dias são incompletos se não nos contamos tudo o que fizemos, enquanto cozinhamos a janta. Vou lembrar de como aprendi a cozinhar só pra te ver mais feliz.

No dia em que eu acordar e não te encontrar ao meu lado, vou ficar te procurando entre os lençóis e te chamar. E aí tu lembrará de como eu morro de rir quando me faz cócegas e do meu jeito dengoso de não querer levantar da cama. E eu estarei pensando simplesmente em ti. E nas tuas pantufas espalhadas na sala.

Em meio aos meus pensamentos, tu entrará no quarto sorrindo, recém saído do banho. Me dará um beijo de bom dia e eu lembrarei de todos os beijos de bom dia já dados. E dos muitos que ainda espero.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Os dias serão sempre assim - mas cada dia será melhor

A noite será como todas as outras. Novela e futebol. A pizza ficará pronta no intervalo, a cerveja estará gelada e o jogo acabará 1 x 1. Lerei um capítulo de um livro, mas ficará tarde. Choverá um pouco lá fora, mas depois do calor do dia, já seria esperado. E será tão bom dormir com o barulho das gotas batendo na janela, enrolada nas cobertas macias. Não muitas, uma ou duas, mas a cama estará quente como sempre. Depois, o vento irá parar e surgirá a claridade.

O sol estará levantando, anunciando um novo dia de trabalho.
Eu estarei na cozinha, guardando a louça do jantar enquanto preparo o café quentinho.
Você estará na cama, se enrolando pra levantar, enquanto grita perguntando se a água do chuveiro está do jeito que gosta.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sabe, eu fico aqui pensando vez que outra enquanto alimento os peixes. O jeito como eles nadam lembra a gente, aliás... tem dias em que tudo lembra a gente. Mas o jeito que eles nadam, meio que se encondendo, sabe? Como se eu não pudesse ver, como se não pudessem nos ver.

...

Já te disse o que eu mais gosto em ti? Não são esses teus olhos brilhantes, nem tua boca vermelha. É o teu cabelo. Teu cabelo que, como o meu, sempre tá diferente, curto, comprido, colorido. Gosto de ver como ele se move quando tu dança, no mesmo ritmo do teu vestido vermelho.

...

Sabe, às vezes eu penso que tudo seria mais fácil se eu me jogasse no lago, mas eu não sei se sou capaz de nadar nessa água tão fria.


(texto escrito há um bom tempo atrás. quando a vida era diferente :D)

terça-feira, 7 de julho de 2009

(perdi a vontade de postar nesse blog e de reclamar de dores que há muito não sinto)




Bonitinho, né? Achei esse site fofo no blog da Carol :)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

álbum/coleção/pri

Em toda a minha vida, só consegui completar dois álbuns: o da Barbie e o do Pokémon. Tudo isso já faz um tempo, mas os folheio até hoje, orgulhosa. Há, ainda, um terceiro álbum, que ganhei quando nasci e que desde então - às vezes muitas, às vezes menos - colo figurinhas: é o álbum das frustrações.
Nunca vi sua capa, pois em momento algum eu pude fechá-lo, parece que estou sempre em busca de mais decepções para a coleção. Ao contrário dos outros álbuns, que tenho como um troféu, este eu gostaria de apenas esquecer. Mas como esquecer as figurinhas que tanto marcaram, que tanto sofremos para conseguir, como as insígnias brilhantes do Pokémon ou os sapatos da Barbie?
A gente não esquece. E volta e meia - assim, quando tudo parece tranquilo - o álbum sem capa dança bem na nossa frente, mostrando aquele narizinho gelado e o teu jeito único de correr, só para provocar. Não que precise, pois não passa um dia sem que eu me lembre daquele seisdejunhodedoismilecinco. E de um corpo do chão. E já faz mais de 4 anos...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Existem dores de todas as formas e intensidades. Existem, ainda, dores que superam as próprias dores. Nelas, não é a maquiagem acumulada de tantas noites que faz o olho doer, não é a bebida de ontem que faz a cabeça explodir, nem o vento que faz com que o corpo trema de frio: damos então boas vindas à dor na alma.
O pior de tudo é quando a dor não grita, é quando ela fica calada, comendo cada pedaço do ser. É quando não se tem forças para agir e ninguém estende a mão. É quando tudo desmorona bem na nossa frente, no copo de martini. É quando se vomita e não se pensa 'nunca mais vou beber', mas 'preciso de mais um drink'. É não saber mais pelo quê se chora.
Dói dos fios do cabelo aos dedos do pé. Dói tudo e dói cada parte do corpo e da mente, é a vida que dói junto. E os melhores amigos passam a ser a caixa de lenços e um tarja preta, porque a gente não quer - a gente não pode mais - ficar sozinho.