domingo, 1 de março de 2009

a parede branca nunca pareceu tão suja

Doía vê-lo assim, tão lindo, escorado naquela parede.
Difícil admitir, mas foi o inferno que havia nele que a atraíra. As roupas rasgadas, o cigarro no canto da boca e o olhar meio de canto, desafiador. Ela sempre gostou de desafios: ele vai ser meu, pensou logo que o conheceu. E agora, após tantos anos, depois de sentir na pele a dor que o inferno causava, ela voltava a vê-lo.
Sentir na pele não foi o pior daquele relacionamento conturbado, o que doeu mesmo foi sentir na alma. O estômago ainda se contraía ao lembrar dos tapas e chutes que as palavras e atos dele tinham o poder de fazâ-la sentir. Era raiva, sim, mas - acima de tudo - era amor. Um amor doentio, digno de estudo. Um sentimento que só fazia mal, não é fácil reconhecer.
Mas ela teve certeza de que ele reconheceu os restos da paixão tão bem escondida quando olhou em seus olhos ao acender seu cigarro. O olhar deixou de ser de canto, penentrou na sua alma e esculhambou tudo o que estava nas prateleiras do seu coração, tão bem organizado. Tantos anos dedicados a essa arrumação!
Doía vê-lo assim, tão lindo, escorado naquela parede.
Uma mistura de nojo e paixão, foi o que ela sentiu. Ódio de si mesma, foi o que me pareceu - vendo a cena de longe.
Doía vê-lo assim, tão lindo, escorado naquela parede.
Tão lindo, tão errado, tão seu que um dia foi.
E nunca mais será.

Um comentário:

CAROLINA ROSSATO disse...

só para constar que eu realmente gosto do que tu escreve aqui, sendo angela, monica ou fatima..
principalmente pq eu sei que tu não escreve só por escrever=)

bj sweet!